Escritora que ainda não achou o conjunto de letras que a define. https://alexiabhetka.com
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foto de carolyn no pexels

para fins dessa alegoria, me imaginei como um vaso. não um aquário, pois não sou tão transparente, não uma jarra pois não sou tão bem esculpida – talvez um vaso torto e confuso feito por um amador (mas que ainda conta como arte).

um vaso cheio d’água porque é como vejo minha alma, meu calor, minha paixão. é o que me dá vida.

também não é jarra porque não quero simplesmente derramar a água de forma graciosa e com calma. não é algum vaso que possa rachar e deixar cair pingos, não. ele tem que explodir de uma vez só.

está árido aqui fora e chega a ser irresponsável da minha parte querer continuar com toda a água só para mim. …


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emiliano arano no pexels

queria chorar mas não consigo. é uma sensação estranha. não tem exatamente algo de errado, mas nem tudo está certo também. tem algo faltando, e quem sabe o que falta não é mergulhar num rio que eu mesma causei até que eu caia no sono pela exaustão?

queria chorar porque quem sou eu se não sou mais alguém que tem epifanias emocionais que se liquidificam a cada tantos dias?

quem diria que antidepressivos trariam desvantagens.

(todo mundo. todo mundo diria, isso foi só para efeitos poéticos.)

queria chorar porque é melhor que vazio. e às vezes é até melhor do que “eu tô bem, e você?” se repetindo por semanas e meses. porque não pode estar tudo bem, não é possível. porque foram tantos anos em que nada estava bem, em que o urso gigante pisava em meu peito e me mantinha no chão que agora não sei o que fazer com toda essa liberdade. …


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madison inouye no pexels

eu me acordo todos os dias no último minuto possível. talvez numa tentativa de alongar os sonhos, até agora a fonte mais surpreendentemente criativa para novas histórias (o que não vem ao caso agora). ao me levantar, abro o guarda-roupas e aí tenho que tomar a primeira decisão da manhã:

que palavras vou vestir hoje?

sabe, para mim, escrever bem é como vestir-se bem. ambos são coisas que eu gosto de praticar, que não me importo em gastar o tempo que for praticando, aperfeiçoando. buscando referências, vendo como outros fazem – curiosamente, também nos dois casos me perguntando se realmente faria melhor com mais dinheiro ou se é só falta de querer mesmo. …


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karolina grabowska no pexels

Quero ser especial e sei que não sou a única. Quero ser aquela pessoa que os outros lembram de cara quando o outro menciona numa conversa. Aquela que se destaca, aquela esquisita, aquela diferente. “Aquela que ___” com uma coisa que só eu fiz, porque algo como “aquela que gosta de café” não limitaria em nada a busca pela pessoa sendo discutida.

Às vezes queria ter outros pintores favoritos, que não Van Gogh e Frida, porque essa é a escolha mais óbvia que existe. Ou ter a chance de explicar que meu apreço por Vincent não é porque ele era um artista torturado, e muito menos pela teoria ridícula de que ele comia tinta amarela porque a cor representa a felicidade e ele achou que poderia ingerir o sentimento como fosse um ingrediente na tabela nutricional. Queria explicar que eu vejo em cada pincelada uma tentativa de se prender à vida, uma tentativa de fazer limonada com limões azedos que foram pisados e deixados na feira. Que o que ele fez alegrou os normais e confortou os loucos. Que ele nunca chegou onde queria em vida e eu tenho medo de ser assim. Que quando vi seus quadros ao vivo senti um magnetismo inexplicável e não conseguia me desvincilhar daquela nuvem de sentimentos, como se um holandês de 164 anos estivesse falando comigo através das garras do tempo e dizendo “não está tudo bem, e talvez nem fique. …


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Foto de Sides Imagery no Pexels

Para começar, a escala de violência não é a mesma, muito menos a motivação — antifascistas visam lutar contra o crescimento do fascismo, enquanto esse tem motivações verdadeiramente genocidas. Mas muitos argumentam que não deve haver violência alguma, que não há espaço para violência na política (e então criticam antifascistas que não excluem a possibilidade de usar violência como tática política).

O problema é que a violência é uma parte vital da política. Política é a distribuição de poder; e poder é estabelecido com violência (ou pelo menos a ameaça dela). A polícia e exército são forças que usam violência a serviço do liberalismo. Fronteiras implicam a necessidade de violência para sua manutenção. …


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Mulheres realizam atos em luta por igualdade em Curitiba no Dia Internacional da Mulher em março de 2018. (Gibran Mendes/ Fotos Públicas)

Este não é um texto onde eu vou falar “não me dê flores, não me dê chocolate, não me dê desconto em produtos femininos”. Não vou nem comentar sobre o quanto me entristece ver marcas usarem esse dia para fingir que se importam com equidade quando o modo como tratam suas próprias funcionárias diz o contrário.

Eu odeio o Dia da Mulher porque eu não queria que a gente tivesse que fazer disso uma ocasião especial. Eu não quero ser especial, quero ser igual.

Eu odeio o Dia da Mulher porque ele não faz absolutamente nada pelos direitos iguais. …


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Dentre as atuais tendências no mundo da publicidade, uma das mais estimadas é o marketing de relacionamento. Foi-se o tempo em que tudo o que o consumidor queria da marca era comprar seu produto e fim de papo: as pessoas agora precisam entender todo o processo de uma marca para consumirem de empresas com ideais similares aos seus, e mais que isso, querem que essa experiência seja um canal aberto de relacionamento e não uma via de mão única. E, principalmente para as compras online, é muito importante seguir essas diretrizes. Deixar claro quem você é e qual a sua missão vai atrair clientes, estar acessível às suas dúvidas e demandas irá fisgá-los, e a experiência de compra como um todo é o que vai determinar se eles vão retornar ou não.Na hora de vender seus produtos ou serviços no meio artístico, também é muito importante ter noções de marketing — afinal, mesmo que pareça intangível, o que estamos fazendo no fim do dia é vendendo algo (seja um livro, uma performance musical ou a promessa de um plano de carreira bem traçado). Mas como fazer isso sem parecer estar “resumindo” sua paixão pela arte ao potencial lucro? …


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Criar quando se está deprimido é especialmente desafiador. Veja dicas que podem facilitar o processo.

Como criadores, a maioria de nós busca dicas e conselhos de pessoas experientes na área, e depois de ver algumas delas repetidas várias vezes, a tomamos como regra. Mas escrever é uma experiência diferente para cada pessoa; e quando se tem depressão, pode ser especialmente desafiador. Essa condição atrapalha nosso desempenho em basicamente todos os passos pelos quais sentimos que devemos passar obter sucesso nessa carreira — afinal, queremos seguir os passos exatos de quem obteve êxito. Mas dia desses eu usei a metáfora da escrita de uma história como a construção de uma casa. E bem, se cada casa é diferente da outra, é claro que os processos também serão diferentes, com diferentes níveis de dificuldade, tempo de execução e resultados. O que importa é que o produto final seja algo que você goste. …


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Não dá pra ser otimista o tempo todo. E não tem nenhum problema com isso.

O que a maioria das pessoas tende a dizer automaticamente quando você relata algo ruim é: “mas veja pelo lado bom”. E eu não tô aqui pra rejeitar isso irrefutavelmente, até porque olhar pelo lado bom já me ajudou muito nessa vida. Ultimamente, inclusive, ando tentando não passar mais tanta raiva com a fatídica experiência de perder o ônibus, dizendo pra mim mesma que não vale falar “se eu tivesse saído um pouco antes” porque “se” não existe, e o que aconteceu aconteceu. Mas isso é divagação pra outro momento.

O que muita gente precisa aceitar é: às vezes o que aconteceu foi ruim e pronto. …


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Escrever não é fácil, mas é sim uma arte que pode ser aprendida com dedicação e insistência.

Existem muitos motivos para que uma ideia nunca evolua (eu mesma tenho algumas engavetadas). Mas eu já vi muitas pessoas desistirem de uma história porque ela tem furos, problemas de enredo ou, colocando de forma mais simples, não vai pra frente. E é por isso que eu resolvi repassar uma técnica com a qual tenho a sorte de me dar bem: o planejamento de um livro.

No e-book “Como planejar seu livro“, vou ensinar para você o passo a passo de como organizar as suas ideias numa estrutura, mesmo que você ache que o que tem não é o bastante para um livro. …

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