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Escritora que ainda não achou o conjunto de letras que a define. https://alexiabhetka.com
Carole Raddato via Flickr

sem querer ofender nenhum desenhista, mas delinear o tal do corpo perfeito no papel é fácil. se falamos do biologicamente feminino, você começa com a testa, traça o nariz pequeno e fino, os lábios carnudos e vai direto para o pescoço sem uma ruga sequer. aí vem o contorno dos seios, empinados e redondos como uma bola. então, uma linha que desce até os pés praticamente reta. nas costas, mais diversão aguarda: a descida até a cintura é sutil o bastante para dar atenção à curva “principal”. o ápice, a piéce de resistance, o imbatível, inegável, lisíssimo e invicto bumbum.


Foto de Sasha Maslova no Pexels

Parece tanto trabalho. Você tá sempre reclamando e dizendo que “deveria estar escrevendo”, mas é mais fácil limpar a casa inteira, inventar uma receita e maratonar uma minissérie inteira do que tirar um parágrafo de você.

Fica pensando que não vai ficar bom, que vai ter que alterar mil vezes, que isso não vai dar dinheiro nem ser publicado em nenhum lugar.

Então só para.

Deixa as ideias e os pensamentos atolarem dentro de ti. Não processa eles, não desenvolve eles. Deixa a imaginação virar angústia — isso deu super certo no passado, né?

Para com a única terapia que…


Foto de Inga Seliverstova no Pexels

não é novidade e muito menos particularidade dizer que me sinto desconexa. é 2021, já se passa mais de um ano desde o início da pandemia, e a situação no brasil só piora. batemos recordes que nenhum país inveja e figuramos em primeiro lugar em listas das quais deveríamos ter vergonha. no início desse ciclo infernal, me lembro da tentativa em ver as coisas pelo lado bom: “quem sabe, estando em casa, consigo escrever mais e focar nas minhas produções.” risível se não fosse trágico.

não só não estou focada na escrita como não estou focada em nada. parece que…


foto de carolyn no pexels

para fins dessa alegoria, me imaginei como um vaso. não um aquário, pois não sou tão transparente, não uma jarra pois não sou tão bem esculpida – talvez um vaso torto e confuso feito por um amador (mas que ainda conta como arte).

um vaso cheio d’água porque é como vejo minha alma, meu calor, minha paixão. é o que me dá vida.

também não é jarra porque não quero simplesmente derramar a água de forma graciosa e com calma. não é algum vaso que possa rachar e deixar cair pingos, não. ele tem que explodir de uma vez só.


emiliano arano no pexels

queria chorar mas não consigo. é uma sensação estranha. não tem exatamente algo de errado, mas nem tudo está certo também. tem algo faltando, e quem sabe o que falta não é mergulhar num rio que eu mesma causei até que eu caia no sono pela exaustão?

queria chorar porque quem sou eu se não sou mais alguém que tem epifanias emocionais que se liquidificam a cada tantos dias?

quem diria que antidepressivos trariam desvantagens.

(todo mundo. todo mundo diria, isso foi só para efeitos poéticos.)

queria chorar porque é melhor que vazio. e às vezes é até melhor do…


madison inouye no pexels

eu me acordo todos os dias no último minuto possível. talvez numa tentativa de alongar os sonhos, até agora a fonte mais surpreendentemente criativa para novas histórias (o que não vem ao caso agora). ao me levantar, abro o guarda-roupas e aí tenho que tomar a primeira decisão da manhã:

que palavras vou vestir hoje?

sabe, para mim, escrever bem é como vestir-se bem. ambos são coisas que eu gosto de praticar, que não me importo em gastar o tempo que for praticando, aperfeiçoando. buscando referências, vendo como outros fazem – curiosamente, também nos dois casos me perguntando se realmente…


karolina grabowska no pexels

Quero ser especial e sei que não sou a única. Quero ser aquela pessoa que os outros lembram de cara quando o outro menciona numa conversa. Aquela que se destaca, aquela esquisita, aquela diferente. “Aquela que ___” com uma coisa que só eu fiz, porque algo como “aquela que gosta de café” não limitaria em nada a busca pela pessoa sendo discutida.

Às vezes queria ter outros pintores favoritos, que não Van Gogh e Frida, porque essa é a escolha mais óbvia que existe. Ou ter a chance de explicar que meu apreço por Vincent não é porque ele era…


Foto de Sides Imagery no Pexels

Para começar, a escala de violência não é a mesma, muito menos a motivação — antifascistas visam lutar contra o crescimento do fascismo, enquanto esse tem motivações verdadeiramente genocidas. Mas muitos argumentam que não deve haver violência alguma, que não há espaço para violência na política (e então criticam antifascistas que não excluem a possibilidade de usar violência como tática política).

O problema é que a violência é uma parte vital da política. Política é a distribuição de poder; e poder é estabelecido com violência (ou pelo menos a ameaça dela). A polícia e exército são forças que usam violência…


Mulheres realizam atos em luta por igualdade em Curitiba no Dia Internacional da Mulher em março de 2018. (Gibran Mendes/ Fotos Públicas)

Este não é um texto onde eu vou falar “não me dê flores, não me dê chocolate, não me dê desconto em produtos femininos”. Não vou nem comentar sobre o quanto me entristece ver marcas usarem esse dia para fingir que se importam com equidade quando o modo como tratam suas próprias funcionárias diz o contrário.

Eu odeio o Dia da Mulher porque eu não queria que a gente tivesse que fazer disso uma ocasião especial. Eu não quero ser especial, quero ser igual.

Eu odeio o Dia da Mulher porque ele não faz absolutamente nada pelos direitos iguais. …


Dentre as atuais tendências no mundo da publicidade, uma das mais estimadas é o marketing de relacionamento. Foi-se o tempo em que tudo o que o consumidor queria da marca era comprar seu produto e fim de papo: as pessoas agora precisam entender todo o processo de uma marca para consumirem de empresas com ideais similares aos seus, e mais que isso, querem que essa experiência seja um canal aberto de relacionamento e não uma via de mão única. E, principalmente para as compras online, é muito importante seguir essas diretrizes. Deixar claro quem você é e qual a sua…

Aléxia Borgonovo Hetka

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