por que você não para de escrever?

Foto de Sasha Maslova no Pexels

Parece tanto trabalho. Você tá sempre reclamando e dizendo que “deveria estar escrevendo”, mas é mais fácil limpar a casa inteira, inventar uma receita e maratonar uma minissérie inteira do que tirar um parágrafo de você.

Fica pensando que não vai ficar bom, que vai ter que alterar mil vezes, que isso não vai dar dinheiro nem ser publicado em nenhum lugar.

Então só para.

Deixa as ideias e os pensamentos atolarem dentro de ti. Não processa eles, não desenvolve eles. Deixa a imaginação virar angústia — isso deu super certo no passado, né?

Para com a única terapia que tu tem no momento, essa que é de graça e onde você pode realmente ser sincera contigo mesma, pensar com calma e colocar tudo pra fora, tudo mesmo.

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Talvez o problema esteja bem aí. Esse texto bonito e reflexivo eu entendo, é claro pra mim porque ele é terapia. Porque eu preciso, e porque abrir mão dele me faria surtar. Mas não consigo ver as histórias fictícias que crio dessa mesma maneira — e acho que deveria me esforçar pra mudar isso.

Porque o personagem pode não ser eu, e o cenário pode ser o mais irreal possível, mas a motivação não muda. Eu escrevo pra pôr pra fora. Pra me entender melhor. Pra me conectar com quem pensa parecido e talvez também ainda não tinha parado pra refletir sobre aquele determinado assunto.

Preciso aprender a me pôr pra fora através dos meus personagens. Como se eu estivesse forçando eles a fazer terapia através do enredo do qual eles fazem parte. Assim eu continuo me ajudando e ajudando quem lê.

Essas ideias surgiram na minha cabeça por um motivo, sabe. Eu não criei um mundo onde pessoas têm poder sobre os elementos da natureza simplesmente porque deu na lata; talvez foi porque eu mesma sinto uma conexão profunda com a natureza e eu queria aprender a fluir como a água, a me prender à terra, a ser livre como vento e a me deixar levar como o fogo.

Não inventei uma máquina que lê sonhos e os transforma em vídeo porque achei que esse livro me daria dinheiro. Foi porque sonhos me fascinam, porque o inconsciente sempre está tentando conversar e a gente raramente dá ouvidos a ele.

Até a minha personagem que é atriz, talvez eu projetei um sonho que nunca foi grande o bastante para eu querer seguir na vida real, mas que eu poderia me divertir muito vestindo a pele de alguém que o alcançou.

Eu estou numa profissão, uma vocação, um mundo onde eu posso ser quem eu quiser. Se houver uma linha da psicologia onde devemos nos colocar em papéis e situações imaginárias, eu já até a desbloqueei. Eu posso ser quem quiser, ir para onde bem entender, falar da maneira que preferir, expor tudo ou deixar tudo guardado. Depende do dia — ou melhor, de qual documento eu abrir.

Como é que eu ouso considerar parar?

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Escritora que ainda não achou o conjunto de letras que a define. https://alexiabhetka.com

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Aléxia Borgonovo Hetka

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